à tua memoria Pai
a quem tantas vezes ouvi este provérbio


Plantadores de Amanhã, Semeadores de Futuro


Oliveira, a de meu avô
; figueira
, a de meu pai; e vinha, a que eu puser.

Provérbio Português e a generosidade

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REPÚBLICA E DEMOCRACIA







Apelo aos colaboradores do Blogue



Amigas, Amigos

É preciso e urgente fazer avançar pelos caminhos da Liberdade e da verdadeira Democrecia os filhos e filhas de Portugal : o seu Povo na sua vida de Cidadãos, de Cidadãs, activos e participantes. Conto com a vossa amizade e colaboração, com vossos textos, filmes, fotos, esquemas, gráficos ou outros. A sensibilidade popular tem que despertar, por um Mundo Novo, por um Portugal Novo, Vamos olhar em frente. Que o passado seja apenas o trampolim para o Futuro



Marília Gonçalves


Avancem com os vossos textos Amigos
colaboradores do Blogue
com o abraço fraterno
Marilia


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mário Quintana O VIAJANTE

Mário Quintana


O VIAJANTE

Eu sempre que parti fiquei nas gares
Olhando, triste, para mim...

Por isso é que os poemas têm ritmo

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Mário Quintana

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pablo Neruda Ode à Poesia

 

Ode à Poesia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pablo Neruda

Perto de cinquenta anos
caminhando
contigo, Poesia.
A princípio
 emaranhavas-me os pés
e eu caía de bruços
sobre a terra escura
ou enterrava os olhos
na poça
para ver as estrelas.
Mais tarde te apertaste
a mim com os dois braços da amante
e subiste
pelo meu sangue
como uma trepadeira.
E logo
te transformaste em taça.
Maravilhoso
foi
ir-te derramando sem que te consumisses,
ir entregando tua água inesgotável,
ir vendo que uma gota
caia sobre um coração queimado
que de suas cinzas revivia.
Mas
ainda não me bastou.
Andei tanto contigo
que te perdi o respeito.
Deixei de ver-te como
náiade vaporosa,
  pus-te a trabalhar de lavadeira,
a vender pão nas padarias,
a tecer com as simples tecedoras,
a malhar ferros na metalurgia.
E seguiste comigo
andando pelo mundo,
contudo já não eras
a florida
estátua de minha infância.
Falavas
agora
com voz de ferro.
Tuas mãos
foram duras como pedras.
Teu coração
foi um abundante
manancial de sinos,
produziste pão a mãos cheias,
 ajudaste-me
a não cair de bruços,
  deste-me companhia,
não uma mulher,
não um homem,
mas milhares, milhões.
Juntos, Poesia,
fomos
ao combate, à greve,
ao desfile, aos portos,
à mina
e  ri- mequando saíste
com a fronte tisnada de carvão
ou coroada de serragem perfumada
das serrarias.
Já não dormíamos nos caminhos.
Esperavam-nos grupos
de operários com camisas
recém-lavadas e bandeiras rubras.
E tu, Poesia,
antes tão desventuradamente tímida,
foste
na frente
e todos
acostumaram-se ao teu traje
de estrela quotidiana,
porque mesmo se algum relâmpago delactou tua família,
cumpriste tua tarefa,
teu passo entre os passos dos homens.
Eu te pedi que fosses
utilitária e útil,
como metal ou farinha,
disposta a ser arada,
ferramenta,
pão e vinho,
disposta, Poesia,
a lutar corpo-a-corpo
e cair ensangüentada.
E agora,
Poesia,
obrigado, esposa,
irmã ou mãe
ou noiva,
obrigado, onda marinha,
jasmim e bandeira,
motor de música,
longa pétala de ouro,
campana submarina,
celeiro
inextinguível,
obrigado
terra de cada um
de meus dias,
vapor celeste e sangue
de meus anos,
porque me acompanhaste
desde a mais diáfana altura
até a simples mesa
dos pobres,
porque puseste em minha alma
sabor ferruginoso
e fogo frio,
porque me levantaste
até a altura insigne
dos homens comuns,
Poesia,
porque contigo,
enquanto me fui gastando,
tu continuaste
desabrochando tua frescura firme,
teu ímpeto cristalino,
como se o tempo
que pouco a pouco me converte em terra
fosse deixar correndo eternamente
as águas de meu canto.

Pablo Neruda


AUTOPSICOGRAFIA Pessoa




AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as suas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Canalha Poema de Jorge de Sena



A Canalha

Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.

7 de Dezembro de 1971

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Guernica



 




Entretanto, foi só com a  monstruosidade da Guerra Civil Espanhola que muitos artistas sentiram o  abanar das suas consciências. Uma parte deles insistiu em voltar costas à  terrível realidade. Muitos outros, pelo contrário, optaram por  enfrentá-la, denunciá-la e até combatê-la.
          Assim, em plena Guerra Civil, após o feroz bombardeamento e a  destruição da cidade de Guernica pelos aviões alemães em Abril de 1937,  Pablo Picasso pintou o célebre quadro Guernica, que é uma  dramática diatribe e condenação daquele acto selvático e da guerra em  geral. O quadro foi pintado para figurar no Pavilhão da República  Espanhola na Exposição Internacional de Paris. Conta-se, com foros de  verdade, que um oficial nazi das tropas de ocupação da França, visitando  a Exposição, parou em frente do quadro de Picasso e perguntou ao  Pintor:

                             «Foi você que fez isto?»

ao que Picasso respondeu:

                             «Não. Foram vocês.»

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

As Armas da Democracia!







...Felizmente os Povos acabam sempre por perceber onde estão metidos e libertam-se e quase sempre pela violência, o que é pena, é que façam o desespero levar as pessoas a tais extremos, enquanto afinal, seria prova de inteligência, evitar confrontos sangrentos e resolver os problemas com as armas da Democracia
Mas a espera é longa, para quem se bate pela dignidade de todos, e pra esses essa espera tem cores de tragédia,porque empenham seu tempo, seu esforço e suas vidas numa luta momentaneamente estéril ou que o é na aparência imediata, mas tal como o Inverno dissimula a Primavera que se prepara nas raízes, enquanto nosso olhar apenas descobre uma paisagem desolada,assim a Luta fervilha, numa calma aparente, para eclodir em força, no momento exacto em que o Povo sabe não ter mais nada a perder, porque já lhe tinham roubado tudo!
é da HISTÓRIA! foi e será sempre assim! e a resposta será tanto mais violenta, quanto mais tempo se for acumulando em força, o desespero dos Povos e a indiferença de quem manda!
Esse desespero é que engendra os possíveis excessos, por tornar-se tão lesto, que se ultrapassa a si mesmo!
pois vamos prosseguir nossos Alertas,a ver se acumulação de fartura de uns e de faltas dos outros se não estende no tempo até ao desespero final e suas consequências!
em Portugal, onde os resultados eleitorais, não são nada significativos em 2011, como se viu nas Presidenciais, onde o candidato eleito, o foi por fraca, muito fraca percentagem e o restante povo que é hoje a maioria quer tenha votado quer não, continua expectante. Como a Política ultra liberal vai prosseguir, em abusos e excessos, quem hoje votou e vai ter um presidente, com amplos poderes, visto poder criar um novo governo, se esse lhe parecer ser o caminho que melhor defende seus meios de governar, o Povo,vai depressa chegar à conclusão, que não foram seus interesses que defendeu e vai disso tirar as inevitáveis aprendizagens!
a politica mundialista vai prosseguir, com ou sem novo governo, o sofrimento popular vai crescer e os Resistentes não vão ficar adormecidos, nem serão despertados por nenhum beijo, nem de amor nem mortal, porque de consciências despertas, prosseguirão suas batalhas!
A Luta Continua até à Vitória Final!



Marília Gonçalves








LEGENDA (para quem não perceber)







Salvador Allende  AQUI








A Mulher


Pablo Picasso
femme assise dans un fauteuil





Ser mulher ou ser humano

Para o caso tanto faz

Quando o humano é humano

E quando o tempo é de Paz.

Mas quando, triste na terra

A voz que se ouve é de guerra

Ser mulher é muito mais

Porque é força resistente

Que pensa, vibra, que sente

E se levanta entre as mais

Então ser mulher é Vida

Como força conseguida

Que vem do fundo de nós

As herdeiras do passado

Erguendo o mais alto brado

Vindo de nossas avós,

Iremos rumo ao porvir

Como força a construir

Em nome da Liberdade

Travamos luta renhida

Pois somos fonte da vida

A gritar dignidade...


Marília Gonçalves


Picasso, Pablo

José Saramago - Falsa Democracia


prestem bem atenção
José Saramago venceu os medos
avançou na Luta, avançou na Palavra
e avançou como ser humano e como escritor 

Solidariedade para com a Livraria de Poesia em Lisboa- Poesia Incompleta














Vão visitar o Jovem que se ocupa desta Livraria


 parece ser uma pessoa mesmo


muito interessante




e
ofereça livros de poesia

e ajude a salvar uma Livraria diferente e única em Lisboa
e com muito poucas na Europa



e por Livraria e livros ficamos
com José Saramago
o Prémio Nobel
de
Literatura

Ergo uma rosa... - José Saramago

Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me doi de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.




do Povo Português


esta foi a desgraça, intoxicado de Império, depois
de Abril, o povo julgou-se mais pequeno.
Esse logro do Império, esse mandar na casa de outros...
e Portugal à espera de ser amado!
Portugal à espera que o ergam, dentro de suas fronteiras.
Ai maditos 48 anos de salazarismo/caetanismo/fascismo
que emprenhou de trevas um povo que no fundo até é bom!!!!


Desgraçadamente até é verdade, ainda ontem escrevi a amigo, dizendo que nós portugueses não temos sentido pátrio, fomos nacionalistas no fascismo, patriotas nem tanto, e desde que o povo viu desvanecer-se o Império, a noção de Portugal ficou agarrada a um campo de bola e pouco mais
o povo português, é capaz de falar mal do seu povo em geral (como eu aqui) e até falar do país em termos pouco lisonjeiros e sem escolher quem escuta e retém o que foi dito, vamos lá tentar isso com franceses ou espanhóis: está quieto!!! nunca consentiriam e tomavam-no por afronta pessoal. Se calhar a nossa principal carência, para reerguer Portugal, é de brio! é isso possivelmente que nos falta
e enquanto não aprendermos o caminho do brio, vamos ainda ver Portugal em baixo, sabe-se lá quanto tempo, ainda
há alguma coisa a mudar no nosso comportamento, mesmo individual, mas seria preciso que nos surgisse naturalmente, vindo do interior
como? ignoro, mas sinto que era preciso
ou vamos continuar a ser este povo desconsolado, lamuriento, triste quando afinal a qualidade está na alegria, tanto individual como colectiva, alegres somos criadores, tristes somos cépticos e nem nos nossos sonhos acreditamos
abraço
Marília Gonçalves

em resposta a Lemas de Portugal




Lemas de Portugal



0 Conversa de reaccionário (?!)...mas ...



Portugal, desde o séc. XX, tem estado sujeito a dois lemas:

No Estado Novo (1926-1974), o lema era : "Deus, Pátria e Família!"

Nesta pseudo- democracia pós 25 de Abril, o lema tem sido praticamente
igual, apenas aumentou em uma só letra....

"Adeus Pátria e Família!"


********************************************************************************

eu acrescento nesta pseudo-democracia, pós 25 de Novembro de 1975
Marilia

do Povo Português


esta foi a desgraça, intoxicado de Império, depois
de Abril, o povo julgou-se mais pequeno.
Esse logro do Império, esse mandar na casa de outros...
e Portugal à espera de ser amado!
Portugal à espera que o ergam, dentro de suas fronteiras.
Ai maditos 48 anos de salazarismo/caetanismo/fascismo
que emprenhou de trevas um povo que no fundo até é bom!!!!


Desgraçadamente até é verdade, ainda ontem escrevi a amigo, dizendo que nós portugueses não temos sentido pátrio, fomos nacionalistas no fascismo, patriotas nem tanto, e desde que o povo viu desvanecer-se o Império, a noção de Portugal ficou agarrada a um campo de bola e pouco mais
o povo português, é capaz de falar mal do seu povo em geral (como eu aqui) e até falar do país em termos pouco lisonjeiros e sem escolher quem escuta e retém o que foi dito, vamos lá tentar isso com franceses ou espanhóis: está quieto!!! nunca consentiriam e tomavam-no por afronta pessoal. Se calhar a nossa principal carência, para reerguer Portugal, é de brio! é isso possivelmente que nos falta
e enquanto não aprendermos o caminho do brio, vamos ainda ver Portugal em baixo, sabe-se lá quanto tempo, ainda
há alguma coisa a mudar no nosso comportamento, mesmo individual, mas seria preciso que nos surgisse naturalmente, vindo do interior
como? ignoro, mas sinto que era preciso
ou vamos continuar a ser este povo desconsolado, lamuriento, triste quando afinal a qualidade está na alegria, tanto individual como colectiva, alegres somos criadores, tristes somos cépticos e nem nos nossos sonhos acreditamos
abraço
Marília Gonçalves

em resposta a Lemas de Portugal




Lemas de Portugal



0 Conversa de reaccionário (?!)...mas ...



Portugal, desde o séc. XX, tem estado sujeito a dois lemas:

No Estado Novo (1926-1974), o lema era : "Deus, Pátria e Família!"

Nesta pseudo- democracia pós 25 de Abril, o lema tem sido praticamente
igual, apenas aumentou em uma só letra....

"Adeus Pátria e Família!"

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ALERTA ANTIFASCISTA DO CAPITÃO DE ABRIL ANDRADE DA SILVA




DEMITIR ESTA CLASSE POLITICA COM QUEM E PARA QUÊ?

Como é fácil de verificar pela profusão de textos na página da manifestação de um milhão não é possível saber se há duas ideias semelhantes.
Todavia nenhum movimento com alguma ideia de mudança pode ter como objectivo a demissão de toda a classe política. É BONITO SOA BEM, mas é um mero devaneio poético, ou uma deriva totalitária. É algo que não faz sentido. É SUICIDÁRIO, porque o que há a fazer é dignificar a politica, criar um código ético do servidor público e pôr os políticos a trabalharem segundo politicas correctas e justas para o bem de todos os concidadãos.
 Objectivamente seria importante  premiar os políticos dignos, correr com os indignos, e exigir que os tribunais funcionassem  rapidamente contra os corruptos, e seria também  importante reconstruir  a democracia participativa, mas nada disto se faz com uma, duas ou uma dezena de manifestações. É preciso muito mais, como seja organização, liderança.

Naturalmente que um movimento que hoje exige a demissão de toda a classe politica também pode pedir de todos os magistrados, militares, etc. seria o retomar da  histórica luta do cidadão contra o estado,  e o regresso ao bom selvagem de Rousseau, ou à anarquia que com o seu manto de liberdade total, esconde os piores déspotas e totalitários.
Todavia temos razão em querer que estes políticos se vão embora. O método proposto para alterar este desastre em que vivemos é que não será o eficaz, porque pede o impossível, o que é bom, estóico, motivador e mobilizador. Todavia  a conquista do IMPOSSÍVEL tem um preço elevado, pode mesmo exigir o sacrifício da vida, e é sempre bom  saber o que cada um, para além do ruído,   é capaz de fazer.

O objectivo proposto parece  de facto para quem quer fazer disto um jogo lúdico de facebook,  que nas actuais circunstâncias seduz muita gente, porque quanto mais demagógica e estonteante for a proposta mais seduz faixas de pessoas desesperadas, e pode até vir ocupar a rua, como já fizeram os camionistas e a comissão de utentes da ponte. Podem não mudar toda a classe politica, mas provocar perturbações que levem à queda do governo.  Preocupantemente nesta iniciativa está presente na página, como se pode verificar, a frente portuguesa com adeptos que transportam a bandeira nazi, logo…

andrade da silva


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pobres dos Nossos ricos



Pobres dos Nossos ricos
Por Mia Couto

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados
.

Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)


Mia Couto

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Processo Urgente

A Todos os Antifascistas
À memôria de Vicente Campinas
À memória de Ary dos Santos
Às suas Vozes de Combate

Acuso

Pela fome dos camponeses
pelo ventre de Catarina
pelos dias, anos, meses,
incendiando a campina
pelas crianças famintas
pela sede de cultura
pela vossa feroz chacina
meio século de noite escura...
Por todos os que sofreram
por todos os que cobardes
não tinham alma com olhos
em Maio todas as tardes!...
Pelas crianças sem escola
pelos vossos hospitais
na hipocrisia da esmola;
por calarem os jornais!...
Pelos presos numa jaula
em dias de escuridão
pelo ping-ping endoidando
os detentores da razão!...
Pelos povos colonizados
pelas unhas arrancadas
pelos cigarros apagados
nas pálpebras condenadas!
Pelas famílias destruídas
pelo livro não publicado
pelos operários fabris,
pelos jovens estudantes
que adivinhavam Abris
- no segredo agonizantes-
pelas vidas emudecidas
no desmaio, na loucura,
por milhares, milhares de vidas
às mãos da vossa tortura!
Por todos os prisioneiros
pelo nome de meu pai
cada antifascista morto
entre lágrimas choradas,
pelo olhar absorto
das mulheres violentadas!
Pela palavra proibida
Pelo nosso Portugal
de carne e alma traída
pela máquina fatal!
Pela vossa infame doçura
enganando o povo incauto
../..



por Alex, pelos amigos
cansados, mortos, em perigo;
pelo velho Vasconcelos
que era enfermeiro dos pobres
à miséria condenados,
pelos presos no Tarrafal
na frigideira queimados!
Pelo povo de Portugal!
Pelas guerras coloniais
por nossos filhos perdidos
sem saber porque razão
eram mandados meninos
matar ao longe um irmão!
Pelas terras abandonadas
pela esperança do emigrante,
pelas tradições caladas
na morte de cada instante!
Pelas aldeias sozinhas
quase despidas de gente...
Pelas velas dos moinhos
que cessaram de girar
porque do Algarve ao Minho
havia choro no mar!...
Pelas vozes que se calaram
dentro do seu próprio lar
como se nem as paredes
as pudessem abrigar!...
Pela mente das crianças
embalada pelo sono
do aniquilar da esperança!...
É que minha voz se eleva
a gritar todos os prantos
a tentar erguer da treva
a voz do Ary dos Santos!

Marília Gonçalves

Companheiros de Luta, Portugal






Companheiro incansável Andrade da Silva,Companheiros de Luta e dor e desespero pela Pátria traída, Portugal atraiçoado, o 25 de Abril
de rubros Cravos de Esperança perdendo-se por meandros de cobardia e obscurantismo, Amigos, Leitores


se neste longo título passa um pouco do que me vai no intimo
eu Marília Gonçalves, venho pedir contas aos que confortavelmente se calam,contas pelas vidas dos meus, que heróicos se bateram por Portugal, meu pai, um poço de bondade e humanismo, de saúde tão frágil, que depois de passar pelas mãos da nojenta PIDE, nunca mais voltou a ter um dia de saúde, com vómitos de sangue, diante do olhar aterrado de meu irmão pequenino, que a cada dia pensava perder o pai
pelo meu tio Alfredo Dinis "ALEX" cobarde e traiçoeiramente assassinado, revolucionário sim, dirigente Comunista, um homem de tanta ternura que nunca passava pela mulher, minha tia "Zefa" sem a beijar, que adorava o filho pequenino, doente, que morreu seis meses antes do pai! Pelo velho Vasconcelos o enfermeiro dos pobres da Penha de França 25 vezes preso, uma das quais no Tarrafal "o conde vermelho" que por sorte ainda viu Abril e seus cravos entre os quais se erguiam em flores de sangue a imagem de Adelaide e de Idalina , suas filhas mortas tuberculosas na flor da idade, em consequência das prisões do pai e da fome que as seguia! o velho Vasconcelos quase cego esteve presente no primeiro 1° de Maio e andou mesmo ao colo de Marinheiros, ao que uma revista francesa deu larga cobertura!
e venho pedir contas pela minha falta de saúde que de menina de doze anos comecei a trabalhar, vendendo bolos e batatas fritas que minha mãe e minha avô materna faziam noite fora, para aos catorze anos decidida e digna desembocar em França, vivendo o trabalho e o cansaço como se de uma mulher formada se tratasse, venho pedir contas por minha infância que me foi arrancada, pelos meus estudos interrompidos, numa longa caminhada para Abril dos que destacando-se dentre a carneirada amaram e lutaram por Portugal, tudo dando de si! venho pedir contas pelos amigos presos, torturados, assassinados, vidas destruídas que tanta falta ficaram a fazer ao progresso de Portugal e à transformação das mentalidades, cuja paralisia transforma o nosso povo no "corno manso" esvaziado de toda a força viril e generosa que podia REERGUER PORTUGAL!
e venho pedir contas por todos os filhos de presos políticos quer tenham visto, tal como eu o pai, ou a mãe, enjaulados por trás dum corredor de vidro com um carcereiro enfiando volta e meia o focinho nojento a relembrar a PIDE omnipresente! venho pedir contas, pelos filhos dos clandestinos que durante tempos infindos não podiam ver seus pais, num sofrimento atroz para uns e para outros!
e tudo isto para quê?
para que após essa magnífica e única madrugada da Abril e de todas as Conquistas que se lhe seguiram de direitos para quem anteriormente nunca os havia tido, se percam, se esfumem?
MAIS UMA VEZ O POVO DE PORTUGAL, depois de conhecer a Luz da Liberdade, se deixe acorrentar numa anestesia do sentir e do pensar que o hão-de levar à perdição e à de seus filhos!

e pelo silêncio dos que se calam,pela ignomínia dos que se vendem, vendendo Portugal em leilão,destruindo o bom que havia no país, eu, não a mulher de sessenta e dois anos, mas eu a menina que pagou no roubo de sua infância a Dignidade de Portugal e a de todos os que o salazariamo/caetanismo oprimiam, humilhavam, assassinavam além-mares, é pois a menina que se ergue de dedo acusador, contra os criminosos fascistas/nazis e contra todos os que silenciando consentiram
Glória para sempre aos que venceram o medo e foram dignos representantes daquilo que são: SERES HUMANOS!
e hoje acima de tudo acuso todos aqueles que pela sua cobardia e silêncio estão a assassinar a Esperança, mola real do progresso e da felicidade dos povos! fazendo-nos retroceder e cair no horror do passado

Marília

ACUSO

Cavalo de vento
Meu dia perdido
O meu pensamento
Anda a soluçar
Por dentro do tempo
De cada gemido
Com olhos esquecidos
Do riso a cantar

Quem foi que levou
A ânfora antiga
Onde minha sede
Fui desalterar
Sementeira de astros
Que o olhar abriga
Por fora dos versos
Que hei-de procurar

Quem foi que em murmúrio
Na fonte gelava
Essa folha branca
Aonde pensar
Quem foi que a perdeu
Levando o futuro
Por onde o meu barco
não quer navegar

Quem foi que manchou
a página clara
Com água das sedes
Que eu hei-de contar
Quando o sol doirava
As velhas paredes
Da mansão perdida
De risos sem par

Quem foi que levou
Os astros azuis
Do meu tempo lindo
Meu tempo a vogar
Por mares de estrelas
Vermelhas abrindo
Quando minhas mãos
Querem soluçar

Não mais sei quem foi
só sei que foi quando
a noite vestiu o dia que era
E todos os sonhos
Partiram em bando
Fugindo de mim e da primavera

Mas há na memória
Da minha retina
A voz que se nega
A silenciar
Com dedo infantil
Erguendo a menina
Diante do réu
Em tempo e lugar!!!

Marília Gonçalves

e o meu abraço fraterno e universal a quantos se batem pelo ser humano, pelo futuro, e até pelo amanhã dos filhos e descendentes de quantos atraiçoam Portugal
o meu amor por vós amigos e a minha infinita ternura


Marília Gonçalves

em Liberdade e Cidadania

domingo, 20 de junho de 2010

SARAMAGO DEIXOU--NOS


AMIGOS e Leitores
DO HOMEM, do ESCRITOR, do ACTIVISTA COERENTE E HUMANO

por motivos de saúde não escrevi ainda o que sinto sobre a perda terrível de um Companheiro de Luta de quantos se batem por justiça e por um Mundo Melhor
Mas para Homenagear SARAMAGO, militante, escritor, homem que não desistiu e que apenas a doença venceu (todos somos humanos) será sempre dia! Assim que a saúde mo permita, prestarei a Saramago com o meu sentir e pensar a homenagem respeitosa e admirativa que me merece
Como acima referimos nosso amigo, Portugal ficou mais pobre, e com Portugal também o Mundo, porque Saramago internacionalista era um escritor Universal
com a minha mais profunda e respeitosa memória
Marília Gonçalves

bondade rima com esquerda
e como dizia o Ary dos Santos: nós repartimos o pão, não temos o pão guardado
foi um homem bom que perdemos com Saramago, que repartiu o pão do seu pensar por quem o quis ler
ficamos indubitavelmente muito mais pobres
Até sempre Amigo, até ao folhear de cada página de teus livros onde sempre te encontraremos de pé e igual a ti mesmo
permaneces assim para sempre vivo e entre nós!

Marília Gonçalves

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ai povo! escuta a voz dos que andaram, íntegros, na escola da vida e do sofrimento




Vós que lá do vosso Império

prometeis um mundo novo,

calai-vos, que pode o povo

qu'rer um Mundo novo a sério.


Porque será que nós temos

na frente, aos montes, aos molhos,

tantas coisas que não vemos

nem mesmo perto dos olhos?



Que importa perder a vida

em luta contra a traição,

se a Razão mesmo vencida,

não deixa de ser Razão


Uma mosca sem valor

Poisa c'o a mesma alegria

na careca de um doutor

como em qualquer porcaria.


Sei que pareço um ladrão...

mas há muitos que eu conheço

que, sem parecer o que são,

são aquilo que eu pareço.


Morre o rico, dobram sinos;

Morre o pobre, não há dobres...

Que Deus é esse dos padres,

Que não faz caso dos pobres?


Eu não sei porque razão

certos homens, a meu ver,

quanto mais pequenos são

maiores querem parecer



Quando os Homens se convençam

Que à força nada se faz,

Serão felizes os que pensam

Num mundo de amor e paz.


Quantas sedas aí vão,

quantos brancos colarinhos,

são pedacinhos de pão

roubados aos pobrezinhos!



Se os homens chegam a ver

Por que razão se consomem,

O homem deixa de ser

O lobo do outro homem.


Eu não tenho vistas largas,

nem grande sabedoria,

mas dão-me as horas amargas

lições de filosofia.


O Homem sonha acordado,

sonhando a vida percorre...

e desse sonho dourado
,

só acorda quando morre
.


Quem prende a água que corre

É por si próprio enganado;

O ribeirinho não morre,

Vai correr por outro lado.




António Aleixo

sábado, 12 de junho de 2010

KATIA

http://www.youtube.com/user/nani201025#p/u


nani201025 a ajouté une nouvelle vidéo. (il y a 6 heures)


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